13 maio 2008



Centro de Saúde versus Unidade de Saúde Familiar o porquê da falsa reforma!
A nova reforma na area da saúde pretende implementar à pressa e em força as chamadas Unidades de Saúde Familiar. De uma maneira hábil e falsa o Ministério de Saúde transmite que estas unidades permitiriam agregar mais utentes sem médico de familia.
A falta de médicos de familia neste País faz com que estejam a descoberto mais de 1 milhão de utentes.
Será necessário em primeiro lugar abrir vagas suficientes para a especialidade de medicina geral e familiar para conseguir que possamos ter mais médicos especializados nesta área.
Estas Unidades de Familia não são mais de que unidades de saúde com uma autonomia determinada a um passo da privatização da saúde em Portugal.
Mas será que este é o futuro da saúde em Portugal?
Penso que não .Acho que isto não passa da destruição do Serviço Nacional de Saúde ,é uma propaganda do regime que pretende privatizar a curto prazo os serviços da saúde em Portugal.Sendo assim, teremos a saúde a ser paga por todos os utentes ,originando que uma grande faixa da população com recursos economicos baixos não tenham acesso aos cuidados minimos de saúde contrariando um direito fundamental da Constituição que diz que os serviços de saúde são tendencialmente gratuitos e o direito do utente a ter o seu médico de familia.
Ao criar estas unidades da qual uma grande faixa de médicos não tem aderido,por não acreditar neste estilo de reforma, pode originar que os médicos se desloquem de um Centro de Saúde para uma Unidade provocando que a população desse Centro fique sem medico ,dado não existir outro para o substituir.
Mas a pergunta que fica no ar é a seguinte : Será que não é necessario reformar o nosso Serviço Nacional de Saúde?
Com certeza que sim.Mas para tal em primeiro lugar teremos que reorganizar os Centros de Saúde e só depois é que poderiam sair as chamadas Unidades de Saúde Familiar.
Não devemos começar a construir a casa pelo telhado.O que está acontecer é a destruição dos Centros de Saúde não os equipando com material necessário e para as unidades de saúde familiar temos tudo de novo :ar condicionado ,televisão. material médico e de conforto novo etc etc... e ao lado fica o Centro de Saúde com o resto de material degradado, instalações em degradação completa com dezenas de milhares de utentes sem médico com consultas avulsas sem condições de vigilancia plena.
Teremos assim utentes de 1ª e utentes de 2ª.
Teremos que falar verdade uma grande faixa da população não tem cuidados primários de saúde por falta efectiva de medicos especializados em medicina geral e familiar.
E a pergunta que se levanta e porquê a falta desses especialistas?
Por uma seguinte razão é uma especialidade com um desgaste fisico e mental bastante marcado, com remuneração mais baixas que outras especialidades,e muitas vezes mal reconhecidas pelos intervenientes.
Esta falta de médicos está a originar um desgaste de tal ordem nos seus profissionais existentes que os leva a um esgotamento ,desmotivação e uma procura da reforma precoce.
Esta é a causa que leva os utentes a reclamar com frequencia não com as entidades responsaveis do sistema (governantes ) mas sim com os profissionais completamente esgotados.
Espero que a actual Ministra da Saúde Dr ªAna Jorge esteja atenta a estes problemas , sente-se á mesa e dialogue com os seus profissionais e não faça como a actual Ministra da Educação que de uma maneira prepotente e não democrata impõe reformas cegas contra tudo e contra todos.